A literatura infantil desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças, despertando sua imaginação, estimulando a criatividade e promovendo o prazer pela leitura. É um gênero literário voltado para crianças de diferentes faixas etárias, que abrange uma ampla variedade de histórias, personagens e temas.
A literatura infantil busca envolver as crianças por meio de narrativas cativantes, personagens interessantes e ilustrações coloridas. Ela apresenta que as histórias refletem a realidade das crianças, suas experiências, emoções e desafios, ao mesmo tempo em que as transporta para mundos imaginários e fantásticos.
Essa forma de literatura não apenas entretém, mas também educa e transmite valores importantes. Através das histórias, as crianças aprendem sobre amizade, respeito, diversidade, coragem, resiliência e muitos outros aspectos essenciais para o desenvolvimento de sua personalidade e caráter.
A literatura infantil também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, do inspirador e da habilidade de leitura das crianças. As narrativas envolventes e os diálogos presentes nas histórias estimulam o interesse pela leitura e ajudam as crianças a desenvolverem habilidades de compreensão e interpretação textual.
Além disso, a literatura infantil é uma ferramenta importante para promover a inclusão e a diversidade. Por meio de personagens de diferentes origens étnicas, culturais, sociais e com diferentes habilidades, as crianças podem se identificar e aprender a confrontar as diferenças.
Portanto, a literatura infantil é uma fonte valiosa de entretenimento, aprendizado e desenvolvimento para as crianças. Ela cria um mundo mágico onde a imaginação pode florescer e os valores podem ser transmitidos de maneira cativante. Através da literatura infantil, podemos inspirar as crianças a se tornarem leitores apaixonados e fornecer-lhes ferramentas para explorar o mundo e sonhar alto.
Maurício de Souza Lino,
Bibliotecário,
Historiador,
Professor,
Escritor.
Cricri, o Tenor da Noite
Um ortóptero com seu som excessivamente agudo, penetrante e intenso veio me visitar neste fim de outono. Entrou em minha casa, atraído pela luminosidade das lâmpadas acesas durante a noite.Tomou posse da sala e do quarto, saltitando com suas patas traseiras bem desenvolvidas, próprias para grandes saltos. Sentiu-se à vontade para cantar. Seu canto estridular provinha do movimento que fazia com suas asas. Percebi pelo som, que se tratava de um macho com seus 2,5 cm. de comprimento, de col
oração parda e escura, e antenas longas. Um grilinho-do-campo.
Encantei-me com seu canto, diferente, característico. Trouxe-me à memória, lembranças da roça... percepções campesinas...
O grilinho Cricri, assim o nomeei, com seus hábitos noturnos, logo me cativou. Era só elevar-se o crepúsculo, ali estava ele, todo alegre, sorridente, cantarolando. Por alcançar notas agudas, classifiquei-o como um tenor. Tornou-se famoso pela vocalização.
Amei seu cricrilar; o dia inteiro, principalmente à noite. Gostava muito d'ouvir sua cantiga; levava-me a dormir... Seu canto muito peculiar, grave e contínuo, bem audível aos meus ouvidos, fazia-me viajar no imaginário de minha infância, enquanto aguardava o sono, depois das primeiras horas amenas... e embala-me.
Não sou entomófago. Poderia tomá-lo como um inseto de estimação, ou um hobby. Traria alegria, com seu canto, considerado uma excelente música. Poderia levar o Cricri em minhas caminhadas; colocá-lo em uma cestinha, ou caixinha, feita com graça e luxo, uma espécie de caixa acústica apropriada para ampliar seu estrilar, guardado no bolso, para ouvir seu canto enquanto caminho, admirar seus hábitos ou passar a noite cantando na cabeceira da minha cama, a fim de encontrar consolo e distração em noites solitárias.
Mas, oh vida! A inusitada paixão por Cricri, meu cantorzinho, apresentou como única desvantagem o fato de que tal inseto de estimação possui uma duração de vida curta e não resiste ao frio.
Meu companheiro das horas noturnas não permaneceu em minha residência nem uma semana. Busquei ouvir seu cricrilar, mas em vão; procurei-o na sala e no quarto, seus lugares favoritos, nos cantos, no assoalho, e nada.
Alguns dias depois, depois de muita saudade, de repente, mais que de repente, ao levantar o tapete sobre o assoalho do quarto, eis o Cricri, meu grilinho doméstico sem vida, inerte, seco, com quem lutou a noite toda para escapar daquele sufoco. Morreu asfixiado debaixo do tapete!
O vínculo afetivo é de uma semana, o que me fez sofrer ainda mais. Lembro-me de como foi a chegada dele em minha vida. Ele foi escolhido, adotado! Todo o carinho investido com a escolha do nome, “Cricri”, o local preferido para dormir, o jeito silencioso que ficava quando estava próximo.
Essas são algumas lembranças de como ele trouxe alegria em minha vida. Sua presença e cantigas de ninar fazem muita falta. Saudades do Cricri!
Maurício de Souza Lino,
Bibliotecário,
Historiador,
Professor,
Escritor.
Aranhas tricoteiras me inspiram. Uma teia de aranha totalmente diferente. Um tapete. Não rasga, não quebra, porque é elástica. É um talento! Com que ela borda? E onde está a agulha? É muito peculiar a forma como ela tece. Realmente não usa agulhas, mas deve ter um belo jogo de quadris para traçar esse bordado todo. Mexe as mãos freneticamente, de tal maneira que quem é de fora não consegue entender, e sai uma obra de arte!
Era uma vez uma aranha chamada Aracnice, conhecida em todos os cantos do jardim por sua habilidade excepcional. Enquanto suas amigas aranhas teciam teias delicadas para caçar insetos, Dona Aracnice tinha um talento diferente: ela tricotava.
Dona Aracnice era uma verdadeira artista. Sua teia não era apenas uma armadilha, mas sim uma obra de arte que adornava o jardim. Ela tecia com fios especiais que não rasgavam nem quebravam, pois eram incrivelmente elásticos. Sua teia era como um tapete mágico, que dançava com o vento e brilhava sob a luz do sol.
Mas como Dona Aracnice percebeu essa proeza? O segredo estava em suas mãos habilidosas e em seus quadris ágeis. Ela não usava agulhas como os humanos, mas movia as mãos freneticamente, em um ritmo hipnotizante. Suas patas dianteiras dançavam no ar enquanto suas patas traseiras se moviam com graça e destreza.
As outras criaturas do jardim ficavam fascinadas ao assistir Dona Aracnice trabalhar. Ela era tão rápida e precisa que parecia conjurar sua teia do nada. Os insetos, em vez de temerem sua presença, admiravam sua arte. Até que as borboletas se aproximassem para apreciar a beleza única da teia de Dona Aracnice.
Um dia, uma jovem borboleta chamada Bela decidiu desenvolver o mistério por trás do talento de Dona Aracnice. Ela voou em direção à aranha e perguntou com curiosidade: "Dona Aracnice, como você consegue tecer uma teia tão magnífica sem agulhas?"
Dona Aracnice sorriu gentilmente e respondeu: "Querida Bela, a arte do tricô está dentro de mim. Não preciso de agulhas, pois a teia é uma extensão do meu ser. É minha paixão e meu dom, e cada fio que entrelaço carrega um pouco de minha alma."
Bela ficou maravilhada com a resposta e ouvir que não era apenas a técnica de Dona Aracnice que era especial, mas sim o amor e a dedicação que ela colocava em cada ponto. Ela aprendeu que a verdadeira beleza reside na expressão individual de nossos talentos e na maneira como compartilhamos nossa arte com o mundo.
E assim, Dona Aracnice continua a tricotar suas teias únicas, encantando a todos com sua habilidade extraordinária. Sua história se seguiu pelo jardim, e todos aprenderam a valorizar não apenas a utilidade das coisas, mas também a criatividade e o talento que podem florescer em formas surpreendentes.
Desde então, toda vez que alguém se deparava com uma teia brilhante e excepcionalmente bela, lembravam-se da aranha tricoteira, Dona Aracnice, e da lição que ela ensinou: que a verdadeira magia da vida está em criar algo especial e único com nossos próprios dons.
Maurício de Souza Lino,
Bibliotecário,
Historiador,
Professor,
Escritor.
(Inspirada em Is. 40:31 e Teresa de Lisieux).
No alto de uma montanha onde o céu tocava a terra, vivia uma águia. Forte, imponente, suas asas cortavam os ventos com autoridade. Ela voava alto, muito alto, e repetia com convicção:
“Os que esperam no Senhor renovam suas forças. Sobem com asas como águias. Correm e não se cansam. Caminham e não se fatigam.”
Ela sabia que sua força não vinha dela — vinha do Alto. Cada voo era um testemunho da fidelidade de Deus.
Mais abaixo, entre os arbustos, vivia um passarinho. Pequeno, frágil, com asas tímidas e penas desalinhadas. Ele não sabia voar como a águia. Mas sabia esperar. Sabia confiar.
“Sou pequeno demais para alcançar o céu com minhas forças,” dizia ele, “mas ouso bater minhas asas, porque confio no vento do Espírito.”
A águia, ao ouvir isso, desceu curiosa:
— “Você acredita que pode voar tão alto quanto eu?”
O passarinho sorriu com doçura:
— “Não preciso voar alto. Preciso apenas ser levado. O amor me dá asas. A confiança me sustenta. E como disse uma alma santa: ‘No amor não corro, mas voo.’”
A águia ficou em silêncio. Naquele instante, entendeu que o voo não é apenas altura — é entrega. E que há mais poder em um coração que confia do que em mil asas que se agitam sem fé.
Naquele dia, o céu se abriu com um brilho diferente. A águia e o passarinho voaram juntos — um com força renovada, outro com confiança absoluta. E Deus, lá do alto, sorriu. Porque no Reino dos Céus, os que esperam no Senhor voam — seja com asas largas ou com fé pequena.
A Fábula da Flor e a Lagarta
Num campo esquecido pelo tempo, vivia uma flor amarela chamada Lía. Era um dente-de-leão, dessas que brilham como o sol em miniatura. Lía gostava de conversar com o vento, que lhe contava histórias de lugares distantes. Mas o que ela mais queria era entender o propósito de sua existência. “Sou bela por alguns dias… e depois viro pompom. E então? O que sou, afinal?”
Não muito longe dali, rastejava uma lagarta chamada Tami. Verde, gordinha, e sempre pensativa. Tami não entendia por que sentia uma vontade estranha de parar tudo e se esconder. “Será que estou quebrada?”, pensava. “Ou será que há algo que ainda não sei sobre mim?”
Um dia, Lía viu Tami se aproximar, ofegante, cansada de subir folhas. As duas se olharam com curiosidade.
— Você parece triste — disse Lía.
— Estou confusa. Sinto que preciso parar, mas não sei por quê.
— Eu também não entendo meu fim. Depois que viro pompom, o vento me leva… e eu desapareço.
As duas ficaram em silêncio. E foi nesse silêncio que algo começou a mudar.
Tami construiu seu casulo ali, ao lado de Lía. E Lía, aos poucos, deixou de ser flor. Virou pompom, e o vento levou suas sementes — mas uma delas caiu bem perto do casulo.
Dias depois, Tami saiu. Não era mais lagarta. Era borboleta. E ao bater suas asas pela primeira vez, viu uma nova flor brotando ali — filha do pompom de Lía.
A borboleta pousou sobre a flor recém-nascida e sorriu.
— Agora entendo — disse. — Você não desapareceu. Você se espalhou.
E a flor respondeu, mesmo sem voz:
— E você não parou. Você renasceu.
Desde então, o campo nunca mais foi o mesmo. Porque ali, entre pompons e asas, nasceu a certeza de que o propósito da vida não é durar — é transformar.
A Fábula da Cegonha e do Corvo
Era uma vez, num céu nem tão azul, uma cegonha elegante chamada Dona Celestina. Ela era responsável por entregar os filhotes de humanos ao mundo — embrulhados em panos, com cara de quem não pediu pra nascer. Voava de nuvem em nuvem, reclamando do peso e da falta de reconhecimento: — “Esses humanos acham que nascer é fácil? Quero ver carregar um bebê chorando por 12 quilômetros sem parar!”
Do outro lado do céu, morava o corvo Jeremias, um sujeito soturno, mas pontual. Sua função era recolher os humanos quando o tempo deles acabava. Ele não fazia alarde, só aparecia com um olhar de “chegou a hora” e um bico afiado como a realidade.
Um dia, os dois se encontraram numa encruzilhada celeste. A cegonha vinha exausta de uma entrega difícil — o bebê já nasceu com opinião formada e exigia Wi-Fi. O corvo, por sua vez, voltava de uma coleta melancólica, onde o humano partiu reclamando que não teve tempo de usar o plano odontológico.
— “Você entrega, eu recolho. Mas o que eles fazem no meio?” — perguntou Jeremias, curioso.
— “Ah, meu caro, eles vivem. Ou pelo menos tentam. Correm atrás de coisas que não podem levar, brigam por ideias que não entendem, e passam metade do tempo tentando parecer felizes para outros humanos igualmente confusos.”
— “E no fim, vêm comigo, dizendo que não estavam prontos.”
— “Pois é. E no começo, chegam comigo, sem saber que estavam vindo.”
Os dois riram, cada um com seu bico. E lá embaixo, os humanos continuavam sua jornada entre fraldas e funerais, acreditando que estavam no controle.
Moral da história:
Entre o bico da cegonha e o bico do corvo, o humano vive achando que é dono do voo — sem perceber que é só a carga.








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