Viagens Literárias
Não preciso de malas, nem de mapas, tampouco de passagens aéreas.
Minhas viagens sempre começam quando abro
um livro. A primeira página é a alfândega, o marcador de páginas é o visto, e
as letras são as estradas que me levam para lugares que nem sempre cabem no
mundo.
Ao abrir uma página, sinto-me como quem cruza fronteiras sem carimbo, com a leveza de um peregrino que não precisa explicar de onde vem. O mundo se revela em silêncios de papel, em paisagens que nascem da tinta e da imaginação.
Caminho pelas vielas e ruas estreitas de Lisboa com Fernando Pessoa, sentindo a maresia que vem do Tejo como se soprasse das margens do papel e o seu murmúrio me alcança como se o rio atravessasse o tempo para me encontrar.
Atravesso desertos infindos com
Saint-Exupéry, ouvindo o vento assobiar entre as dunas da minha própria
imaginação, entre uma página e outra.
Em noites de inverno, viajo pela Rússia de Dostoiévski, onde as almas pesam mais que a neve acumulada nas janelas das casas. Adormeço, ouvindo falar da alma humana como quem abre um espelho.
Essas jornadas deixam em mim marcas mais duradouras que os passos de qualquer estrada. Muitas vezes fecho o livro com a sensação de regressar de um país secreto e, ao me olhar no espelho, reconheço um viajante que não parte, mas volta transformado.
Os livros não me ensinam apenas geografias de lugares, mas uma geografia das emoções humanas, de sentimentos, que não se encontra em atlas: descubro que cada personagem guarda um rosto meu, e que cada narrativa é também uma narrativa minha. Descubro que é possível atravessar fronteiras invisíveis e reconhecer, em cada personagem, uma parte de mim.
Hoje, quando alguém me pergunta
quantos países conheço, não me apresso a responder. Sorrio em silêncio. Não sei
se esperam que eu enumere cidades e países. Prefiro responder com um gesto: volto
os olhos para a estante, e lá estão os mapas de minha vida, ali estão meus
carimbos de passaporte, encadernados, alinhados em lombadas coloridas.
Ali repousam minhas viagens, silenciosas, esperando que eu retome a travessia. Essas viagens não terminam nunca. Quem lê não desembarca, permanece.
O curioso é que, quanto mais leio, menos preciso me deslocar. Basta o silêncio da sala, uma poltrona confortável e uma boa lâmpada. O mundo vem até mim, desembarca inteiro dentro das páginas, como um navio que chega a um porto.
Há dias em que fecho o livro mais cansado do que se tivesse cruzado oceanos. Há também manhãs em que desperto com a estranha sensação de viver uma vida paralela, em outro idioma, em outro século, em outro corpo que não é o meu.
Artesão da Palavra, Professor e Escritor
Nos alicerces da civilização, o professor ergue-se como um farol de luz e sabedoria. Molda mentes com paciência infinita, semeando ideias que florescem em futuros promissores. Sua voz ressoa como um eco do saber, transmitindo valores, descobertas e sonhos, erguendo pontes entre o que se sabe e o que ainda se há de aprender. Seu legado não se mede em dias ou anos, mas na eternidade do conhecimento que germina em cada aluno, perpetuando-se como uma constelação de pensamentos brilhantes.
O escritor, por sua vez, é o alquimista das palavras, o tecelão da imaginação e o escultor das emoções. Com sua pena, transfigura o cotidiano em poesia e o efêmero em eternidade. Constrói universos, dá vida a personagens e registra a história dos homens e de seus sonhos. Seu labor transcende o tempo, pois a cada página escrita, ergue monumentos invisíveis, erguendo-se como um eterno guardador das almas e dos sentimentos humanos.
Professor e escritor, artífices do saber, senhores do tempo e da memória. Um, pela palavra dita, transforma o presente. O outro, pela palavra escrita, eterniza o passado e inspira o futuro. Juntos, entre livros e lições, entre salas de aula e páginas imortais, são os guardiões do que fomos e os arquitetos do que ainda seremos.
Maurício de Souza Lino,
Bibliotecário,
Historiador
Professor,
Escritor.
Alberto Frederico Beuttenmüller, Crítico de Arte Nacional e Internacional, Poeta e Jornalista.
Origem do sobrenome: Beuttenmüller - Beuutten/Müller, Moleiro de Beutten, cidade da Alta Silésia, nordeste da Alemanha. Beutten foi anexada pela Polônia. Pronuncia-se “Bóitenmilar.”
Alberto Frederico Beuttenmüller, poeta, jornalista, artista plástico, físico, ensaísta e crítico de arte (Membro da AICA - Associação Internacional de Críticos de Arte), nasceu na cidade de São Paulo em 26 de março de 1935, e passou a infância no Rio de Janeiro, mais precisamente na Vila Isabel; em Minas Gerais, Juiz de Fora e Belo Horizonte; no Espírito Santo, em Vitória e Cachoeiro de Itapemirim. Seu pai era fiscal da Receita, o que requeria mudanças constantes. Talvez, tenha nascido daí seu interesse pelos vários Estados do Brasil.
Foi ainda quando criança, durante o período de migração, que começou a escrever poesia, seu gênero favorito. Outro hobby era o futebol (quase foi jogador de futebol). São-paulino doente, foi convidado para jogar pelo Clube, mas recusou para poder estudar.
Era muito estudioso. Foi aprovado no vestibular de engenharia, mas largou o curso após alguns semestres. Era uma profissão muito quadrada para Alberto. Para um amante da escrita sempre curioso e louco por novidades, a escolha era óbvia.
Formou-se em Jornalismo na Faculdade Cásper Libero, em 1962, com especialização em Museologia em curso ministrado pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) e pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), sendo colega de Turma de Clovis Rossi. Após a faculdade, se tornou repórter do Jornal do Brasil, onde trabalhou por 17 anos. Em Brasília esteve nos seus primórdios, da qual guarda boas lembranças. Desenvolveu cursos para alguns artistas de Brasília, com o intuito de atualizá-los na linguagem contemporânea, além de realizar leituras de suas obras. Na década anterior já havia cursado física no Mackenzie e Filosofia na USP.
Trabalhou como redator e revisor na imprensa paulista no começo da década de 1960, exercendo posteriormente as funções de chefe de reportagem, chefe de redação e repórter especial.
Tornou-se em 1971, crítico titular de Artes Plásticas do Jornal do Brasil. Trabalhou em diversos órgãos de imprensa:
Nos anos 1980, passa a escrever sobre televisão, também no Jornal do Brasil; sobre Artes Visuais durante 13 anos na Revista Visão; Revista Fatos; A Gazeta; O Estado de São Paulo, como colunista de Artes Visuais.
Foi artista residente da Unicamp entre março e novembro de 1986.
Além de suas contribuições como crítico de arte e escritor, Alberto Frederico Beuttenmüller teve uma carreira cultural multifacetada e envolvente:
Ativismo Cultural:Beuttenmüller desempenhou um papel ativo no cenário cultural de São Paulo e do Brasil. Foi membro da Comissão de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura de São Paulo de 1990 a 1993, onde trabalhou na promoção das artes visuais no estado.
Curadorias de Eventos Artísticos: Alberto Beuttenmüller atuou como curador de importantes eventos artísticos. Ele foi o curador da 14ª Bienal de São Paulo em 1977, um evento que teve um impacto significativo no mundo das artes no Brasil. Além disso, ele criou e foi curador da I Bienal Latino-Americana em 1978, com o tema "Mitos e Magias", com o objetivo de fortalecer os laços culturais entre os países da América Latina.
Engajamento com Instituições de Arte: Beuttenmüller também desempenhou papéis importantes em diversas instituições de arte. Ele fez parte da Comissão de Arte da Funarte (1984-1986), oficialmente por programação cultural e pelo Salão Nacional de Arte Contemporânea. Além disso, ele foi membro da Comissão de Arte do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) em 1984-85, onde ajudou a moldar a direção do Panorama da Arte Atual Brasileira. Por sua iniciativa, o Panorama da Arte Atual Brasileira passou a dividir-se em Arte Tridimensional, Arte sobre Papel e Pintura.
Carreira Acadêmica: Professor convidado em diversas instituições, incluindo a Universidade de Campinas (Unicamp), onde ministrou aulas de História da Arte Brasileira e Estética. Ele também foi professor de História da Arte Ocidental na Fundação Mokiti Okada e no Museu Brasileiro da Escultura (MUBE).
A ampla e diversificada contribuição de Alberto Frederico Beuttenmüller para a cultura, arte e conhecimento no Brasil é uma parte essencial de seu legado, deixando uma marca de tensão no cenário cultural e intelectual do país.
Membro da Comissão de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura de São Paulo (1990-93). membro do júri da Bienal de Salto, Uruguai, 1998; Membro da AICA-UNESCO – Association Internationale des Critiques d’art, Paris, France; membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA; Editor do Jornal da ABCA; membro da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), onde foi diretor e vice-presidente entre 1984 e 1986.
Como escritor, Alberto Frederico Beuttenmüller deixou um legado significativo com coleções de livros publicados: “O Mistério do Azul Turquesa, Editora Atual, 1992; Hora Total, Editora LPM, 1965; Ciranda, Editora Acquila, 1963; Espadamormarmorte, Brasil Editora, 1970; Katatruz, Massao OhnoRoswita Kampf, 1982; A Pele da Palavra, Editora Aquariana, em 2004; Geometria da Cor, 1982; Críticos X Artistas, 1983, ambos da Editora Arte Aplicada; e Volpi, Lanelli e Aldir, da Editora IOB, 1990; Gravura Brasileira – História e Crítica, 1991, Banespa Cultural; Viagem pela Arte Brasileira, Editora Aquariana, SP, 2003; O Enigma dos 7 Dragões Dourados, Atual, 1994; O Amor que o Sol Proibiu, LTD, 1996; bem como outros livros de poesia e de crítica de Artes Visuais.
Na redação do Jornal do Brasil, participou da cobertura mais inesquecível de sua vida: a da Copa do Mundo de 1970, no México. Foi lá que descobriu a civilização maia, alvo de seu fascínio e tema de dois dos seus 12 livros de ficção. Depois da viagem ao México, andava sempre com um pingente de Chac-mool, ídolo encontrado em templos, pendurado no pescoço. Foi um estudioso dos maias, há mais de 40 anos.
Exploração da Civilização Maya: A paixão de Beuttenmüller pela civilização Mesoamérica (Mayas), o levou a se tornar um apreciador nessa área.
Além de escrever três livros sobre o assunto, contribuiu significativamente para a compreensão dessa cultura, destacando seu conhecimento avançado em matemática, astronomia e calendário.
Estudou Arqueologia e Antropologia e lançou, anos depois o livro: 2012 - A Profecia Maia, Editora Ground, 1996; e, A Serpente Emplumada, ambos traduzidos em Espanha pela EDAF e pela Editora Pergaminho, de Portugal, além de O Círculo do Livro da Colômbia, 1998, traduzido em diversos idiomas.
Tudo começou quando descobriram uma inscrição numa pedra na cidade maia de Tortuguero. É importante salientar quem foram os grandes maias, que tinham um calendário mais perfeito que o atual.
Não havia ano bissexto para corrigir, por exemplo. Os maias eram uma civilização sofisticada. Usavam o zero, já no século III de nossa era, quando os países da Europa só usariam o zero no século XV. Só a Espanha usou o zero no século XII, graças aos árabes, que a invadiram e lá permaneceram por séculos. Os maias foram ainda grandes matemáticos e astrônomos renomados.
Calcularam com precisão a distância da Terra a todos os planetas do Sistema Solar a olho nu, pois não tinham instrumentos ópticos. Enfim, uma grande civilização que superava a Europa em tudo, isso há cerca de mil e quinhentos anos atrás.
Usavam dois calendários acoplados: o Haab, calendário civil de 360 dias, mais um mês de cinco dias para completar o ano, período aziago, quando a cidade permanecia em completa meditação. O Haab era usado acoplado ao Tzolkin, de 260 dias, que previa os ciclos agrícolas, baseado no ciclo da gravidez da mulher.
Como crítico de Arte do Jornal do Brasil, mudou a Bienal de São Paulo, pois, pela primeira vez, os países foram obrigados a apresentarem-se dentro de conceitos criados pelo Conselho de Arte e Cultura da Fundação Bienal de São Paulo, onde foi secretário, vice-presidente e presidente (1976-78).
Professor convidado de História da Arte Brasileira e Estética da Unicamp em 1986; Professor de História da Arte Ocidental da Fundação Mokiti Okada de 1997 a 2000; Professor de História da Arte Ocidental no MAM-SP de 2000 a 2002.
Diretor de vários museus de São Paulo: Diretor do Paço das Artes da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (83-87); Diretor do Museu de Arte Brasileira da FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado (1993-94).
Alberto Frederico Beuttenmüller, vendeu sua casa no Brooklin, um dos bairros mais nobres e valorizados de São Paulo e veio para Campos do Jordão em 2013, onde finalizou a produção de seus livros, fazendo curadoria para alguns artistas plásticos, renomados, de São Paulo, grandes amigos.
Apaixonado por Campos do Jordão, onde frequentava desde 1985, tinha o grande sonho de morar nesta montanha magnífica. Teve uma velhice útil, curtindo muito a montanha.
Vitimado pelo Mal de Parkinson (morte das células do cérebro), ficou em casa durante um mês, aproximadamente, e outro mês no Hospital S-3, em consequência de problemas respiratórios e cardíacos, onde veio a falecer com Alzheimer (doença neurodegenerativa crônica), em 28 de agosto de 2016, aos 81 anos de idade. Seu corpo está sepultado no cemitério municipal Santa Teresinha do Menino Jesus, como veio a desejar.
Seu último livro, “A Pele da Palavra”, também teve seu segundo lançamento em Campos do Jordão, na Biblioteca Municipal, prof. Henry Mauritz Lewin.
Deixou esposa, três filhos do primeiro casamento e uma neta, além de dois filhos e cinco outros netos que adotou como seus, em 1984, da segunda esposa, Maria Virginia de Oliveira, a Vick, companheira de mais de 30 anos de vida, demonstrando seu amor e dedicação à sua família.
A ampla e diversificada contribuição de Alberto Frederico Beuttenmüller para a cultura, arte e o estudo da civilização Maya, deixou uma marca significativa e indelével no cenário cultural e intelectual do país.
Fontes de Pesquisa:
MUSEU BRASILEIRO DE RÁDIO E TELEVISÃO. mbrtv. Núcleo de Pesquisa em Rádio e TV, projeto de extensão ligado ao Centro Universitário Belas Artes (SP). São Paulo SP: mbrtv, 2023. Disponível em: https://www.museudatv.com.br/biografia/alberto-beuttenmuller/. Acesso em: 9 set. 2023.
FREDMULLER. Jornal de Poesia. Poesia, Ensaio, Crítica, Resenha & Comentário: . São Paulo SP: Jornal de Poesia, 2023. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/abeuttenmuller.html#bio. Acesso em: 9 set. 2023.
Museu da TV
Jornal da Poesia
Revista Manchete, 1984. Edição 1682.
Links:
http://mube.art.br/curso/palestra-profecia-maia/
https://www.skoob.com.br/autor/6651-alberto-beuttenmuller
https://www.museudatv.com.br/biogr.../alberto-beuttenmuller/
http://www.jornaldepoesia.jor.br/abeuttenmuller.html#bio
https://www.guiacampos.com/a-cultura-e-o-brasil-perdem.../
https://www.youtube.com/watch?v=wvHCDzXpBKg
https://jornalggn.com.br/.../a-palestra-sobre-as.../
http://www.idea.unicamp.br/artis.../alberto-beuttenmuller....
https://www.germinaliteratura.com.br/albertob.htm
O MEAC São Paulo Apóstolo – Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades São Paulo Apóstolo, é bastante conhecido pela sua denominação mais comum de "MEAC", uma associação de caráter religioso e beneficente, constituído por missionários leigos consagrados à evangelização e à formação social.
O “MEAC” tem por finalidades principais: a formação de leigos, vivendo o espírito missionário, integrados na Pastoral da Igreja local e que se dedicam à evangelização, anunciando a mensagem de Cristo e relatando experiências de vida cristã; promovendo o aperfeiçoamento humano-espiritual do povo e seus membros. São elementos essenciais de nossa caminhada a vida secular e o compromisso de evangelizar através dos diversos meios de comunicação, tais como: rádio, televisão, jornal, revistas, livros, CDs, fitas, teatro, palestras, internet etc., e demais formas de Animação Missionária de Comunidades.
O “MEAC” foi fundado no ano de 1972 e atua em todo o território nacional, mas seu trabalho de evangelização já é reconhecido e solicitado por Dioceses e Paróquias de outros países, como Estados Unidos e Moçambique.
Neimar Machado de Barros, filho de um militar, nasceu em Corumbá (MS), a 8 de março de 1943, e veio a São Paulo aos 6 anos, depois que o pai foi transferido.
Aos 16 anos, teve sua primeira tuberculose. Nos seis meses em que ficou de cama, aproveitou para ler tudo o que conseguia. Trabalhou como garçon e bancário. Aos 21, tornou-se redator na rádio Nacional, como redator do programa de Renato Corte Real.
Foi na rádio que conheceu Senor Abravanel, ou melhor Silvio Santos, seu nome artístico. Logo foram para a TV Paulista, CANAL 5, das Organizações Victor Costa, comprada depois pela Rede Globo.
Ainda como Tv Paulista, Silvio Santos recebeu um presente de Manoel da Nóbrega, o “Baú da Felicidade”, e foi aí que junto com Neimar de Barros e Luciano caminharam para o ”Programa Silvio Santos”. No período e começou a trabalhar com o apresentador, diretor e produtor de televisão da equipe do Programa Silvio Santos. Até o início da década de 1970, criou e produziu vários programas de grande audiência, como “Cidade contra Cidade”, “Boa Noite Cinderela”, entre outros.
Sua maior realização dentro da televisão foi na Rede Globo e Rede Tupi, onde o sucesso e fama chegou como diretor, produtor e redator, pois era o braço esquerdo de Silvio Santos.
Devido ao sucesso, esteve em Brasília com o Presidente do Brasil, Emílio Garrastazu Médici, e Silvio Santos, solicitando concessão para um canal de televisão, por onde anos depois veio o primeiro canal de Silvio Santos, TVS – Rio de Janeiro. Até o início da década de 1970 foi líder, companheiro, amigo e profissional de destaque dentro da equipe Silvio Santos.
Em 1971 foi convidado a participar de um encontro dentro da Igreja Católica, na época chamado de cursilho. Mesmo sendo ateu, devido ao sucesso destes encontros, aceitou o convite, pois queria desafiar e defender sua filosofia materialista, que sempre dizia só acreditar no que seus olhos poderiam ver. No terceiro e último dia, depois de ter questionado muito e até incomodado o encontro, foi desafiado pelo Padre, Jonh Drexel a entrar na capela e ajoelhar-se, pois Deus tinha algo a lhe falar. Foi aí que uma grande comoção tomou ele, e naquela hora aconteceu o início de sua conversão, ficando claro para ele, que podemos ver muitas coisas que nossos olhos não enxergam.
Quando voltou ao seu trabalho na TV, sentiu que como cristão não podia aceitar muitas coisas que aconteciam, não poderia continuar a ter as mesmas atitudes e aceitar muitos procedimentos dos bastidores de televisão; então, teve grande conflito com Silvio Santos e acabou se desligando do grupo.
Depois esteve só na TV Record com seu programa próprio de entrevistas, “Meia Hora com Neimar”, e nesta época foi que se tornou famoso também como escritor de livros religiosos e seus poemas.
Após dois anos de conflito no emprego, desligou-se e foi se dedicar às pregações.
Ótimo orador, visitou mais de 4.000 cidades. Escreveu seu primeiro livro, depois escritor ”BEST SELLER” destacado pelo livro DEUS NEGRO que vendeu mais de 4 milhões de exemplares em 5 países. Suas poesias “Não tenho tempo” e “Deus Decepção” comoverão milhares de leitores, seu best-seller, livro Deus Negro, vendeu mais de 4 milhões de exemplares, foi editado em vários países e teve suas poesias declamadas em vários meios de comunicação incluindo o Fantástico na Globo.
Em 1975, adquiriu sua segunda tuberculose e foi aconselhado a se tratar na Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão. Conseguiu se recuperar em 3 meses, escreveu o livro “Apóstolos Cansados” e decidiu mudar-se para esta cidade, onde residiu por 11 anos. Aqui, fundou o Instituto M.E.A.C., Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades, sendo o principal pregador, e durante 14 anos desenvolveu um trabalho missionário dando cursos e palestras em mais de 4 mil cidades.
Suas palestras lotavam ginásios de esportes, auditórios, igrejas e teatros. Seu trabalho teve tanto destaque que esteve na capa da Revista Família Cristã, a maior publicação católica do Brasil, da Editora Paulinas. Arrastava multidões. Em 1985, o ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre, ficou abarrotado de pessoas querendo ouvi-lo. Era o mais popular pregador leigo católico daquela época.
Visitou o Vaticano, palestrou em várias Universidades inclusive na “Sorbonne” em Paris, esteve em Israel. Publicou mais de 10 livros, tendo traduções para espanhol e italiano. Como leigo conseguiu quebrar vários paradigmas, sendo uma forte referência dentro da Igreja Católica.
Ele transitava pelas dioceses, dormiu em casas de Bispos, participou de encontros com o clero, inclusive em São Paulo, a convite de D. Paulo Evaristo Arns, onde ele e Marcos Baby Durães, comunicador famoso na época (década de 1970), deram palestras a centenas de padres sobre como comunicar-se com os fiéis em suas homilias.
Entre 1972 até 1986 caminharam juntos, talvez uns quinze companheiros, entre eles o Cantor (deficiente visual) Jean Carlos, Arthur Miranda, Antoninho Tatto, muita gente de Televisão e Rádio: Claudio Fontana, Luiz Carlos Clay, Aroldo Alves (Peninha), Reynaldo, Antônio Cardoso.
Sua vida deu uma grande guinada em 1986, e como um ser humano normal teve muitas desilusões com sua igreja, sua família e em seu grupo de trabalho, a falta de um alicerce na “ROCHA” deixou um forte stress florescer, a vontade de mudar os dogmas arbitrários da igreja católica foram sempre boicotados, e errou muito na forma reivindicada, apesar de haver boas intenções.
Assim, instalou-se uma profunda crise em sua vida, dando início a manifestação de uma doença neurológica que só foi descoberta 18 anos depois.
Contudo, trabalhava e viajava muito, associando ao estresse do trabalho e sua separação no casamento, o que potencializou ainda mais o seu estado emocional e o despertar de uma doença neurológica descoberta 18 anos mais tarde, o Mal de Alzheimer.
No mesmo ano, concedeu uma entrevista bombástica à Revista Veja, revelando que sua conversão teria sido uma farsa, dizendo ter sido contratado por uma loja maçônica internacional, para se infiltrar na Igreja Católica para descobrir seus podres e repassar informações sobre a conduta de religiosos.
Afirmou que, depois, teve sua verdadeira conversão, mas teve de manter o compromisso com a loja maçônica por medo de represálias.
Para o filho Edmar, o episódio foi um delírio do pai num momento de estresse e desilusões. Por causa da repercussão negativa da reportagem, foi viver na Argentina. Oculto por alguns anos, reapareceu na equipe de Silvio Santos, trabalhando novamente como produtor no SBT, até 2006.
Nunca recuperou a popularidade. Trabalhou para a Prefeitura de Osasco. Depois disso, escreveu dois livros autobiográficos, mas sem muita repercussão.
A sua essência sempre foi de um cristão temente a Deus. Nos anos 90 converteu-se ao protestantismo e passou a frequentar a “Igreja Presbiteriana Renovada de Osasco-SP”, nos últimos 10 anos.
Sofria de alzheimer desde 2004 e faleceu no dia 06 de maio de 2012, domingo, aos 69 anos, de falência de órgãos. Teve cinco filhos e seis netos.
Deixou-nos um exemplo de que o homem é pecador, que muitas vezes erra o alvo, e que devemos perdoar sempre, pois o principal é não nos afastarmos de Deus, e sim entender que “quando somos nada, Deus é sempre tudo em nossa vida”.
A instituição sediou-se na igreja Nossa Senhora da Saúde, em Vila Jaguaribe.
Fontes para pesquisa:










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